Durante anos, derrubar paredes para integrar cozinha e sala foi quase sinônimo de modernização residencial. Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, acompanha agora uma discussão que segue na direção contrária: algumas pessoas estão reconsiderando a integração total e procurando maneiras de separar novamente os ambientes. A mudança não representa necessariamente o fim da cozinha aberta, mas revela como ruídos, odores, organização visual, trabalho remoto e diferentes rotinas domésticas estão fazendo a funcionalidade pesar tanto quanto a sensação de amplitude.
Leia mais a seguir!
Por que a cozinha aberta conquistou tantas casas?
A integração ganhou força porque elimina barreiras visuais e permite que espaços diferentes sejam percebidos como uma área maior. Em imóveis compactos, essa continuidade pode favorecer a circulação da luz e diminuir a sensação de confinamento. A cozinha também deixa de funcionar como um cômodo isolado e passa a participar mais diretamente da área social. Essa configuração ainda permite criar uma leitura mais contínua da residência, especialmente quando materiais, revestimentos e cores estabelecem uma conexão visual entre os ambientes.
Outro benefício aparece durante os encontros. Quem prepara alimentos consegue conversar com pessoas que estão na sala ou próximas à bancada, evitando o afastamento comum em plantas compartimentadas. Ilhas e penínsulas reforçaram essa característica ao assumirem simultaneamente funções de preparo, refeição rápida e convivência. Dessa forma, atividades que antes aconteciam em áreas separadas passam a compartilhar o mesmo espaço, tornando a cozinha parte mais ativa dos momentos de socialização.
Entretanto, Daugliesi Giacomasi Souza permite associar essa escolha a uma questão essencial do design de interiores: uma solução precisa acompanhar a forma como a casa realmente funciona. Integrar espaços pode ser interessante para determinada rotina, mas produzir incômodos em outra. É justamente essa diferença que ajuda a explicar o atual interesse pela compartimentação. Antes de eliminar uma divisão, portanto, é importante considerar não apenas a aparência do projeto, mas também como os moradores utilizam cada ambiente ao longo do dia.
O que fez algumas pessoas quererem paredes novamente?
Quando não existe uma barreira física, atividades realizadas na cozinha também chegam com mais facilidade à sala. Liquidificador, coifa, louça sendo organizada e conversas podem competir com televisão, leitura ou trabalho. O problema se torna mais evidente quando várias pessoas utilizam a residência simultaneamente para atividades diferentes. Nesses casos, a integração que favorece a convivência em determinados momentos também pode dificultar a criação de áreas mais tranquilas e reservadas dentro da casa.

Segundo Daugliesi Giacomasi Souza, os odores representam outra questão prática. Sistemas adequados de ventilação e exaustão ajudam a controlá-los, mas determinadas preparações continuam produzindo aromas, gordura e vapor. Em uma planta completamente integrada, esses efeitos podem alcançar móveis, cortinas e outros elementos da área social com maior facilidade. Quanto mais frequente e intenso for o uso da cozinha, maior tende a ser a importância de considerar essas características antes de optar pela ausência completa de divisões.
Fechar a cozinha significa voltar às plantas antigas?
Não necessariamente. O movimento atual não precisa significar reconstruir uma parede convencional e instalar uma porta fechada. Existem soluções intermediárias capazes de preservar parte da integração enquanto oferecem maior controle sobre ruído, circulação, odores e exposição visual. Dessa maneira, a separação pode funcionar como um recurso adaptável, acionado conforme as atividades realizadas em cada momento da rotina.
Portas de correr, painéis, divisórias envidraçadas e grandes aberturas permitem modificar a relação entre os cômodos conforme a necessidade. A cozinha pode permanecer conectada à sala durante uma reunião familiar e ser parcialmente isolada durante o preparo de uma refeição mais elaborada. Essa flexibilidade evita transformar integração e separação em escolhas absolutas. Além disso, algumas dessas soluções mantêm a passagem de luz e a percepção de amplitude mesmo quando existe uma delimitação mais clara entre os ambientes.
Na perspectiva de Daugliesi Giacomasi Souza, fundadora da DGdecor, pensar nessas possibilidades amplia o papel do projeto. Em vez de simplesmente decidir entre derrubar ou construir uma parede, é possível avaliar quais graus de conexão fazem sentido para aquela residência e como eles podem mudar ao longo do dia. O planejamento passa, assim, a considerar não apenas a configuração física dos espaços, mas também a possibilidade de adaptá-los às diferentes situações vividas pelos moradores.
Para acompanhar mais conteúdos sobre decoração e interiores da fundadora da DGdecor, o perfil @dgdecor.construir no Instagram reúne referências e ideias relacionadas ao tema.

