O Brasil avança em sua legislação de proteção animal com a criação de diretrizes específicas para o resgate e manejo de animais afetados por desastres naturais ou provocados pelo homem. Essa nova política representa um marco importante na consolidação de ações coordenadas entre governo, sociedade civil e setor privado, buscando minimizar os impactos sobre a fauna em situações de emergência. Ao longo deste artigo, analisamos os principais pontos da política, seus efeitos práticos para gestores e cidadãos, e a relevância desse avanço para a proteção ambiental e a responsabilidade socioambiental.
O objetivo central da política é integrar a proteção de animais domésticos e silvestres às ações de defesa civil e gestão ambiental. Isso significa que, em situações de desastre, os animais não serão mais uma preocupação secundária, mas terão atendimento planejado, coordenado e padronizado. A medida busca reduzir mortes e sofrimentos, ao mesmo tempo em que estabelece normas claras para governos e empresas, criando um modelo de ação preventiva e eficiente.
Episódios recentes de rompimentos de barragens e enchentes revelaram fragilidades na resposta do Estado frente aos impactos sobre os animais. Muitas ações foram improvisadas, realizadas por voluntários ou organizações não governamentais, evidenciando a necessidade de uma regulamentação formal. A nova política vem justamente preencher essa lacuna, definindo protocolos, responsabilidades e critérios de atuação.
Um dos aspectos mais relevantes é a responsabilização legal em casos de desastres causados por atividades humanas. O projeto equipara à prática de maus-tratos situações em que a ação ou omissão humana provoque sofrimento ou morte de animais, incluindo penalidades como detenção e multa. Essa medida reforça o compromisso do país com a proteção da fauna, estabelecendo consequências claras para negligência ou descaso.
No plano operacional, a política prevê que o resgate seja conduzido por equipes especializadas e treinadas, com protocolos técnicos específicos para diferentes espécies e situações. Essa abordagem garante não apenas a segurança dos animais, mas também a proteção de voluntários e profissionais que atuam nas operações de emergência. Além disso, prevê-se avaliação veterinária imediata e a criação de centros de triagem e reabilitação, fortalecendo a infraestrutura de resposta.
A transparência e o controle social são outros pilares da política. Informações sobre resgates, tratamento, estado de saúde e destino final dos animais deverão ser registradas e divulgadas publicamente, permitindo que órgãos de fiscalização e cidadãos acompanhem de forma efetiva as ações. Essa prática não apenas aumenta a confiança da sociedade nas operações, mas também incentiva a melhoria contínua dos protocolos.
A política distribui claramente responsabilidades entre União, estados e municípios. Cabe à União definir normas gerais e apoiar a capacitação; aos estados, mapear áreas de risco e formar equipes locais; aos municípios, organizar resgates, oferecer abrigos temporários e integrar entidades voluntárias. Essa divisão evita sobreposição de funções e garante que todos os níveis de governo atuem de forma coordenada.
Empreendimentos sujeitos a licenciamento ambiental também passam a ter obrigações específicas. Quando identificados como causadores de desastres, devem adotar medidas preventivas e fornecer suporte técnico e logístico para atendimento aos animais afetados. Isso reforça a importância da responsabilidade socioambiental do setor privado, alinhando desenvolvimento econômico a práticas sustentáveis.
Embora a criação da política represente um avanço significativo, sua efetividade dependerá da implementação prática. Diretrizes legais são apenas o primeiro passo; a capacitação de equipes, a articulação entre órgãos, o financiamento adequado e a participação da sociedade civil são fatores determinantes para que a política se transforme em resultados concretos no campo.
Com esse marco legal, o Brasil fortalece não apenas o bem-estar animal, mas também a cultura de prevenção, resposta articulada e responsabilidade ambiental. A consolidação dessa política tem potencial para inspirar outras iniciativas que reforcem a proteção da fauna, promovendo um equilíbrio entre desenvolvimento, sustentabilidade e cuidado humanitário.
Autor: Diego Velázquez

