As eleições de 2026 ampliaram a presença feminina no Congresso Nacional, mas o resultado ainda revela uma distância significativa entre a composição do Legislativo e o perfil do eleitorado brasileiro. A Câmara dos Deputados terá 109 deputadas federais a partir de 1º de fevereiro de 2027, ante 90 eleitas em 2022. O avanço corresponde a um crescimento de 21,1% na bancada feminina.
Mesmo com o aumento, as mulheres ocuparão 21,2% das 513 cadeiras da Câmara. O percentual representa uma mudança relevante em relação à legislatura anterior, mas permanece distante da participação feminina entre os eleitores. Segundo dados apresentados pelo Ministério das Mulheres, o país tem 83,9 milhões de eleitoras, que correspondem a 52,84% do eleitorado nacional.
O resultado indica que a presença das mulheres nas urnas não se converte, na mesma proporção, em representação parlamentar. A diferença entre os dois indicadores é um dos principais pontos de atenção trazidos pela análise divulgada após o primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro de 2026.
Senado terá maior número de eleitas em uma mesma eleição
No Senado Federal, 12 mulheres foram eleitas em 2026. De acordo com a análise do Ministério das Mulheres, esse foi o maior número registrado em uma mesma eleição desde a redemocratização brasileira.
Além das novas senadoras, seis parlamentares já possuem mandatos com duração até 2031. Com essa composição, a bancada feminina poderá chegar a 18 integrantes no Senado em 2027. O número equivaleria a 22,2% das 81 vagas da Casa, mantendo também no Senado uma proporção inferior à presença das mulheres na população eleitoral.
A eleição para o Congresso faz parte do conjunto de cargos definidos no calendário do pleito nacional. Conforme explica o Tribunal Superior Eleitoral, as eleições de 2026 escolheram presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais.
O que os números mostram sobre a representação política
Os dados apontam para um movimento de crescimento da participação feminina no Legislativo, especialmente na Câmara. O salto de 90 para 109 deputadas federais significa que mais mulheres terão presença direta na formulação de leis, na fiscalização do Executivo e nos debates sobre políticas públicas em âmbito nacional.
No entanto, o aumento numérico não elimina a diferença entre representação política e composição social. Se as mulheres são maioria entre os eleitores, a bancada feminina ainda estará proporcionalmente sub-representada nas duas Casas do Congresso. Essa comparação ajuda a dimensionar o tamanho do avanço, mas também evidencia que a mudança ocorre de forma gradual.
A ampliação da bancada pode influenciar a diversidade de perspectivas no processo legislativo e dar maior visibilidade a temas relacionados à vida das mulheres. Ao mesmo tempo, o resultado eleitoral não encerra o debate sobre as condições de acesso das candidatas à política institucional, incluindo a distribuição de recursos, o espaço oferecido pelos partidos e os obstáculos enfrentados durante as campanhas.
Avanço não encerra os desafios para as mulheres
A presença feminina no Congresso depende de uma combinação de fatores que vai além do resultado das urnas. A estrutura partidária, a competitividade das candidaturas, o acesso ao financiamento eleitoral e a exposição pública podem influenciar as chances de eleição. Também permanecem no debate as situações de violência política e as barreiras que dificultam a permanência das mulheres nos espaços de poder.
Por isso, o crescimento registrado em 2026 deve ser interpretado como parte de um processo mais amplo. A chegada de 109 deputadas à Câmara e a eleição de 12 senadoras representam uma mudança na composição do Parlamento, mas os percentuais mostram que ainda existe um caminho extenso até que a representação feminina se aproxime da participação das mulheres no eleitorado.
A nova composição do Congresso começará a atuar em 2027, e o acompanhamento de sua formação permitirá avaliar não apenas quantas mulheres foram eleitas, mas também quais posições ocuparão nas comissões, nas lideranças partidárias e nas discussões centrais da agenda nacional. Esses espaços são decisivos para transformar presença numérica em influência efetiva sobre as decisões do país.

