Trégua entre Irã e Israel reduziu o preço do petróleo, porém analistas apontam que o Estreito de Ormuz segue como ponto de atenção do mercado
Depois de meses de tensão que levaram o barril de petróleo a patamares acima de US$ 100, o conflito entre Irã e Israel esfriou com a assinatura de um acordo de paz em junho, mas o efeito nos preços da gasolina e do diesel ainda reverbera no bolso do brasileiro. A dúvida que fica para quem abastece o carro é direta: os combustíveis já voltaram ao patamar anterior à guerra, ou a normalização vai levar mais tempo? Entender essa engrenagem exige olhar tanto para a geopolítica do petróleo quanto para as particularidades do mercado brasileiro de combustíveis.
O conflito começou no fim de fevereiro, quando uma operação militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã resultou na morte do líder supremo iraniano, segundo reportagem do portal Vrum. A retaliação iraniana incluiu o fechamento do Estreito de Ormuz, via marítima por onde passa cerca de 30% do petróleo comercializado no mundo, conforme apurou a Agência Brasil. O bloqueio elevou os preços internacionais e pressionou distribuidoras privadas no Brasil a repassar aumentos, mesmo com a Petrobras segurando os valores nas refinarias.
Por que o preço não caiu na mesma velocidade em que subiu
O acordo de paz entre Estados Unidos e Irã foi assinado em junho pelos presidentes Donald Trump e Masoud Pezeshkian, declarando o fim imediato das operações militares e permitindo a retomada das exportações de petróleo iraniano sem restrições, de acordo com o portal Times Brasil. Com a reabertura do Estreito de Ormuz, os preços dos combustíveis no Brasil recuaram de forma expressiva na semana seguinte ao anúncio: o diesel comum caiu 8,49%, para uma média de R$ 6,98, enquanto a gasolina teve queda de 1,57%, para R$ 6,81, segundo levantamento do Índice de Preços Edenred Ticket Log citado pelo mesmo veículo.
Apesar da melhora, especialistas ouvidos pela Agência Brasil alertam que o amortecimento dos preços tem limite, porque o Brasil ainda depende da importação de derivados de petróleo, como gasolina e diesel, sobretudo depois da privatização de refinarias como a antiga Rlam, na Bahia. A agência de classificação Fitch projeta que o preço médio do petróleo em 2026 deve se firmar ao redor de US$ 87 por barril, patamar mais alto do que o esperado antes do início do conflito, conforme reportagem da Band. Ou seja, mesmo com a trégua, o mercado segue precificando um risco geopolítico que não desapareceu por completo.
O que ainda pode mexer no preço da gasolina nos próximos meses
O Estreito de Ormuz continua sendo o principal ponto de atenção de analistas e operadores de mercado, já que qualquer instabilidade na região tende a gerar reflexos imediatos nos contratos futuros de energia, segundo a Band. Isso significa que, mesmo com o acordo assinado, novos episódios de tensão entre as potências envolvidas podem voltar a pressionar os preços dos combustíveis no Brasil em questão de dias, dado o histórico recente de reação rápida do mercado a notícias vindas do Oriente Médio.
Para o consumidor brasileiro, a lição prática é que o preço da gasolina e do diesel nos próximos meses vai depender menos do noticiário local e mais da estabilidade da rota marítima que liga o golfo Pérsico ao restante do mundo. Motoristas de aplicativo, transportadoras e famílias que dependem do carro no dia a dia sentem esse tipo de oscilação de forma mais imediata do que outros setores da economia. Acompanhar o desenrolar das negociações entre Irã, Israel e Estados Unidos, portanto, deixou de ser um assunto só de política internacional e passou a interferir diretamente no planejamento financeiro de quem vive no Brasil.
A combinação entre a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim das sanções ao petróleo iraniano ajudou a aliviar a pressão sobre os preços, mas o mercado segue precificando um risco que não some do dia para a noite. Enquanto isso, o consumidor brasileiro convive com valores de combustível ainda superiores aos praticados antes de fevereiro, mesmo com as quedas recentes nas bombas. A expectativa de analistas é que a estabilidade só se consolide se a trégua se mantiver por mais tempo, sem novos episódios de escalada na região.
Fontes consultadas: Política no Brasil | Vrum | Agência Brasil | Times Brasil | Band

