domingo, junho 20, 2021
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Queiroga se distancia de Bolsonaro e diz que cloroquina é ineficaz contra Covid-19

Em seu segundo depoimento à CPI da Covid-19, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga se contrapôs ao presidente Jair Bolsonaro e afirmou que a cloroquina é ineficaz para o tratamento do coronavírus. O uso do chamado “kit Covid” é uma das bandeiras do chefe do Executivo federal, que, em diversas ocasiões, fez propaganda dos fármacos. “Não há evidência comprovada da eficácia destes medicamentos”, disse Queiroga aos senadores. Apesar da manifestação, parlamentares da base governista, como Luis Carlos Heinze (PP-RS), pediram que o médico cardiologista repense seu posicionamento. A oitiva desta terça-feira, 8, também foi marcada por questionamentos sobre a realização da Copa América no Brasil – o torneio continental será disputado a partir do domingo, 13.

Como a Jovem Pan mostrou, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, marcou para a quinta-feira, 10, uma sessão virtual extraordinária para que os ministros analisem duas ações que pedem a suspensão da Copa América. O julgamento foi marcado a pedido da ministra Cármen Lúcia, relatora de um pedido apresentado pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB). À CPI, o ministro da Saúde disse que a decisão sobre a realização da competição no país não é sua atribuição. “Minha função nesse episódio não foi dar aval para acontecer a Copa América. O presidente [Jair Bolsonaro] me pediu que avaliasse os protocolos da CBF e da Conmebol. São protocolos que permitem a segurança para a ocorrência dos jogos no Brasil. As autoridades dos Estados que aceitaram realizar os jogos estão de acordo com esse tipo de atividade. A fiscalização se dará por parte das autoridades sanitárias desses municípios. Não vejo, do ponto de vista epidemiológico, uma justificativa que fundamente a não ocorrência do evento. A decisão de fazer ou não o evento não compete ao Ministério da Saúde”, explicou.

Queiroga também disse que partiu dele a decisão de não nomear a médica Luana Araújo para o cargo de secretária extraordinária de enfrentamento à Covid-19. Na semana passada, porém, a infectologista relatou ter ouvido do ministro da Saúde que sua indicação “não passaria pela Casa Civil”. Os senadores ressaltaram que, em uma audiência da Câmara dos Deputados, o comandante da pasta afirmou que não houve “validação política” do Palácio do Planalto. “Se o senhor não quisesse, não teria nem encaminhado à Casa Civil. Depois que encaminha é que o senhor vê que há divergência? A verdade é a seguinte, ministro: o senhor mesmo disse que é um regime presidencialista, [o nome da doutora Luana] chegou na Casa Civil, olharam os vídeos [com críticas à cloroquina], viram que ela não concorda com a doutora Mayra Pinheiro e optaram por ficar com a Mayra. É só falar, isso não vai mudar muita coisa da sua história junto ao ministério, que espero que seja vitoriosa. Mas não dá para achar que todo mundo aqui é doido ou que não prestou atenção ao que o senhor falou”, disse o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM).

Além disso, assim como em seu primeiro depoimento, que ocorreu no dia 6 de maio, Marcelo Queiroga evitou tecer comentários sobre a postura de Jair Bolsonaro, que, neste intervalo de pouco mais de um mês, organizou duas manifestações com motociclistas, promoveu aglomerações e não utilizou máscara. Aos senadores, o ministro disse não ser “censor do presidente” e ressaltou que não cabe a ele fazer “juízo de valor” sobre as atitudes do chefe de Estado. A resposta evasiva irritou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). Para o tucano, Bolsonaro boicota as orientações dadas pelo Ministério da Saúde e o titular da pasta não se indigna, apenas consente. “A omissão, às vezes, é mais grave que uma decisão errada”, disse Jereissati. A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), representante da bancada feminina na comissão, escreveu em seu perfil no Twitter que Queiroga “pisa em ovos para não contrariar o chefe”.

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