quinta-feira, junho 17, 2021
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Presidente da Ceagesp discute ao vivo com senador: ‘De boas intenções o Brasil está cheio’

O senador Alexandre Giordano (PSL) divulgou seu projeto que pretende combater a fome em São Paulo, o “Bolsa Sopão”, em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, nesta terça-feira, 25. Na proposta, há a previsão da distribuição de sopas e vitaminas à população vulnerável de São Paulo. Estas refeições seriam produzidas com as sobras ricas dos alimentos desperdiçados diariamente na Ceagesp. De acordo com Giordano, 150 toneladas de alimento vão parar nos lixos da Ceagesp diariamente. “Já planejei toda a logística e tenho total apoio do presidente Jair Bolsonaro no projeto, mas estou sendo impedido de colocá-lo em prática por conta do presidente da Ceagesp. Já nos reunimos várias vezes, mas ele diz que preciso de uma licitação para entrar no local. Na prática, precisa de licitação quem quer vender algo na Ceagesp. Eu não quero vender nada, quero doar os alimentos que estão indo para o lixo. Não existe licitação para doação”, disse o senador. Para esclarecer os impasses jurídicos relativos à implementação do projeto, os comentaristas do programa decidiram ligar ao vivo para o Coronel Mello Araújo, presidente da Ceagesp.

“Precisamos seguir a legislação. Fui nomeado há sete meses e estou colocando a casa em ordem porque ela estava poluída por políticos. Em relação ao ‘Bolsa Sopão’, quero esclarecer que qualquer pessoa que deseja ter um espaço na Ceagesp precisa conseguí-lo mediante licitação – é o que a lei diz. Como o próprio senador diz, ele tem o apoio de empresários riquíssimos, então não seria nada difícil ocupar o espaço via licitação já que o valor cobrado equivaleria a um dinheiro de café destes empresários. Desta forma, ele teria o espaço dele, poderia pedir os restos de alimentos aos permissionários e montaria seu projeto sem problema algum. No entanto, existem muitas inverdades que foram colocadas pelo senador”, afirmou o coronel. Segundo ele, uma série de dados divulgados por Giordano estariam incorretos. “Primeiro, não são 150 toneladas de alimentos que vão para o lixo todos os dias. São 140 toneladas de materiais descartados, mas apenas 3% deste número são orgânicos – o resto equivale à madeira, papel, palha e lixo. O senador conhece bem os dados verdadeiros porque, em 30 de outubro, veio à Ceagesp pedir que eu substituisse a empresa contratada para recolher o lixo pela Construrban, outra empresa que ele defende. Dias passaram e ele insistiu no assunto. Queria porque queria que a empresa indicada fosse contratada. Na verdade, percebemos que de boas intenções o Brasil está cheio. Fazemos um trabalho sério aqui. Se quiser saber quem eu sou, basta jogar no Google. Se quiser saber quem é o senador, basta jogar no Google também”, concluiu.

Com os ânimos acirrados, Alexandre Giordano respondeu às acusações. “Fui elegante e não quis entrar no assunto relativo à coleta de lixo, mas vou esclarecer. Quando começei a ventilar o projeto do ‘Sopão’, a Ceagesp possuia um contrato emergencial mensal de R$ 2,2 milhões com a empresa de coleta Multilixo. A Construrban havia ganhado a licitação com a oferta de recolher o lixo por R$ 1,35 milhões, mas não foi contratada. Assim que o Mello assumiu a Presidência da Ceagesp, o chamei e disse: ‘Existe uma contratação emergencial de R$ 2,2 milhões mensais, mas uma empresa ganhou a licitação com a oferta de R$ 1,35 milhões. Porfavor, coloque o contrato com a empresa mais barata para funcionar. Na hora ele topou. Assim, a licitação voltou para o sistema e advinha quem ganhou? A mesma empresa que já estava, a Multilixo, com a oferta de R$ 1,7 milhões – mesmo que outras oferecessem contratos mais baratos. Como ela baixou R$ 500 mil do dia para a noite? Mágica né? Só existe mágico ali. Isso não entra na minha cabeça. Vim ao programa divulgar o ‘Bolsa Sopão’ e o cara vem me falar de licitação obrigatória? Só estou pedindo as sobras dos alimentos”, concluiu.

Confira a entrevista na íntegra do senador Alexandre Giordano ao Pânico:

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