domingo, junho 20, 2021
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Otávio Fakhoury nega participação em ‘gabinete do ódio’: ‘Se existe, eu desconheço’

O empresário Otávio Oscar Fakhoury negou nesta sexta-feira, 11, que seria um dos membros do chamado “Gabinete do Ódio”, uma espécie de grupo que teria financiado atos antidemocráticos e disseminado fake news para beneficiar o governo do presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista exclusiva ao programa Morning Show, da Jovem Pan, Fakhoury disse não ter conhecimento do suposto gabinete. “Se existe, eu desconheço. Eu desconheço qualquer estrutura de ordens, de passar dinheiro para difamar pessoas. Eu, desde 2013, sempre fui um ativista. As minhas participações são sempre voluntárias, com recursos próprios. Eu não recebo ordem de ninguém para fazer nada. Não existe nenhuma estrutura de comando, de poder de influenciar”, afirmou. “Quem age por vontade própria não faz parte de gabinete nenhum.” Segundo o empresário, sua participação em movimentos começou com as manifestações contra a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Fakhoury foi membro do “Vem Para Rua”, mas acabou se dissociando para criar um novo grupo, o “Acorda, Brasil”, ao lado de Luiz Philippe de Orleans e Bragança.

“A gente ajudava as manifestações de rua. Fazíamos viagens para Brasília”, detalhou Fakhoury sobre sua participação. “Lembro que o Luiz Philippe a propôs uns seis ou sete vetos à Lei da Imigração do Aloysio Nunes e eles foram aprovados pelo então presidente Michel Temer. A gente fazia um ativismo mais focado em produzir resultado perante ao Congresso”, explicou. Em 2016, Luiz Philippe e alguns outros colegas, como a deputada federal Bia Kicis (PSL), decidiram se filiar a legendas e migrar para a política partidária. “Eu fiquei na minha. Eu colaborei durante a campanha eleitoral [de Jair Bolsonaro]. Mas todas as minhas colaborações durante a campanha foram declaradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral)”. Durante a entrevista, Fakhoury desmentiu a acusação de que teria feito caixa 2 para a campanha de Bolsonaro. “Isso é mentira. Inclusive eu já ingressei com ação de indenização por danos morais. Aquilo foi uma constituição que eu fiz para grupos de direita ativistas do nordeste, que já tinham suas vaquinhas. Era uma campanha voluntária. Os líderes vieram para São Paulo e pediram ajuda. Não tem nada a ver com campanha eleitoral, nenhum deles era ligado à campanha”, assegurou.

Inquérito dos Atos Antidemocráticos

O empresário Otávio Fakhoury pediu o restabelecimento do sigilo do inquérito dos atos antidemocráticos ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito apura a realização e o financiamento de atos antidemocráticos que pediam o fechamento do Congresso Nacional e da Suprema Corte e a reedição do AI-5, ato mais repressivo da Ditadura Militar. No último dia 7, Moraes tornou os documentos públicos. Segundo Fakhoury, o pedido de retomada do sigilo dos documentos visa a instauração de uma investigação sobre possíveis vazamentos. “O meu advogado está pedindo acesso a esse inquérito desde o ano passado. Quase 360 dias. A gente pede, pede e não recebe e, de repente, a Rede Globo tem acesso a mil folhas no inquérito. Em seguida, o Alexandre de Moraes decretou a quebra de sigilo. Então o nosso pedido de restabelecer o sigilo é mais no sentido de manter uma linha para se investigar como é que vazou esse inquérito”.

Para o empresário, o inquérito só serviu para enfraquecer a militância e o ativismo de direita. “Hoje as pessoas têm medo de postar qualquer coisa, de falar em grupo”, disse. “Pegaram uma conversa privada do Allan dos Santos e colocaram isso como uma tentativa de golpe, mas ninguém comprou armas e saiu preparado para derrubar governos. Uma conversa privada na qual um sujeito desabafa não pode ser considerada um plano para acabar com o governo”, argumentou. “O tipo penal ‘fake news’ não existe. Também não existe um tipo penal ‘atos antidemocráticos’. Então eles definem como quiserem”, criticou. Fakhoury ainda negou que tenha pedido o fechamento do STF. “Na minha fala, eu estou defendendo um plebicito, que é a forma mais democrática de se decidir. A nossa proposta não é uma dissolução [do STF]. É uma dissolução com recriação, para mudar o formato da corte constitucional.”

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