terça-feira, abril 13, 2021
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Moro precisa se manifestar como pré-candidato a 2022 ou situação ficará difícil, diz Janaína Paschoal

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou, nesta terça-feira, 23, o ex-juiz Sergio Moro suspeito no caso do triplex do Guarujá, que envolve o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A suspeição divide juristas e lideranças políticas. Para a deputada estadual, Janaína Paschoal (PSL), a decisão pode ser vista como uma forma de minar a possível candidatura do ex-ministro da Justiça à Presidência em 2022. Por isso, a jurista defende a necessidade de um posicionamento claro de Moro sobre a disputa eleitoral. “Ele precisa sair da toga do juiz e começar a tratar de outros temas. Deve se manifestar como pré-candidato, seja à Presidência, se entender que ainda não é o momento, seja ao Senado Federal. Com conhecimento jurídico que ele tem seria grande nome no Senado. Na medida que ele se manifestar como potencial candidato, vai ficar mais claro que movimentos todos têm o instituto de miná-lo como potencial candidato para 2022.”

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, nesta quarta-feira, 24, a parlamentar citou as possíveis  dificuldades enfrentadas por Moro para a conquista de um eleitorado. Segundo Paschoal, o ex-juiz é odiado por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, assim como por defensores do ex-presidente Lula, o que dificulta o cenário. “O ex-ministro está em uma situação difícil porque ele é odiado pelos petistas pelo seu papel brilhante na Lava Jato e, hoje, é odiado de maneira injusta pelos bolsonaristas porque não conseguiu conviver com presidente. As pessoas têm que entender que o presidente é uma pessoa difícil, gente. Ele é uma pessoa difícil. Sai uma criatura da magistratura para trabalhar com uma criatura como Bolsonaro é difícil dar certo”, disse, citando que, pelas situações, há uma “resistência” a Moro na política. “Ou o ex-magistrado se manifesta, percebe que ele não é mais juiz, que pode falar e deve falar, ou a situação dele vai ficar muito difícil.”

Suspeição de Moro

A decisão do Supremo Tribunal Federal pela suspeição de Sergio Moro aconteceu após a mudança de voto de Cármen Lúcia. A alteração de entendimento da ministra, no entanto, não “tem lógica” ou fundamentos jurídicos e pode representar riscos para a segurança jurídica do Brasil, avalia Janaína Paschoal. “Não é razoável que uma magistrada que participou do processo desde o princípio e se manifestou sobre a operação desde o princípio por uma série de vezes mude seu voto sem fato relevante e fazendo uma consideração que não foram pelas mensagens [vazadas]. É uma situação teratológica, por isso fico buscando outras explicações”, afirmou. Para Janaína, é possível que a mudança de Cármen Lúcia seja fruto da intenção de “fortalecer” o ex-presidente Lula como adversário de Jair Bolsonaro em 2022. ‘Talvez ela esteja muito assustada, como muitas pessoas, com estilo do presidente Bolsonaro e tenha vislumbrado no Lula o único quadro com condições para enfrentá-lo. Muitas pessoas que votaram no presidente têm me confidenciado que votariam em qualquer candidato do outro lado. Se a ministra está assustada como as pessoas que vem conversando comigo, pode ser que ela tenha utilizado essa oportunidade de maneira política no sentido de fortalecer adversário que tem alguma chance.”

Para a deputada estadual, as constantes mudanças do STF trazem insegurança jurídica e representam a “pior mensagem” do ponto de vista internacional. “Estamos passando para o mundo a mensagem de uma republiqueta. O comportamento do presidente também colabora para isso, alguns ministro idem, mas vamos ser justos e reconhecer que o comportamento do Supremo está dando sinais piores para o exterior. Quem vai querer investir em um país em que a Suprema Corte muda as próximas decisões?”, questionou Janaína Paschoal. Segundo ela, a decisão pela suspeição de Moro foi baseada em falas do procurador Deltan Dallagnol, não do ex-juiz. “Quem olhar as mensagens vai perceber que as falas são do Deltan com procuradores, o Deltan faz menção a magistrados, faz menção a ministra Carmen Lúcia, de maneira informal. Se Moro é suspeito pela força das falas de Dallagnol, outras pessoas poderiam ser consideradas suspeitas também.”

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