terça-feira, junho 15, 2021
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Foram vários atos equivocados no governo, afirma Otto Alencar, que integra CPI da Covid-19

O senador Otto Alencar, que integra o grupo de oposição na CPI da Covid-19, acredita que em 90 dias, no máximo com a prorrogação, o colegiado vai ter o relatório final para apresentar ao país. A Comissão Parlamentar do Inquérito já definiu seus 11 membros e agora vai investigar ações no enfrentamento da pandemia da Covid-19 nas esferas federal, estadual e municipal. De acordo com Otto, na próxima semana já deve ser possível iniciar as reuniões. O presidente da CPI, ainda não escolhido, será o responsável por definir se elas serão remotas, semipresencial ou presenciais. “Com a situação de trabalhar remoto, podemos ter dificuldades. Em algum momento vai precisar ser presencial porque tem sigilos, talvez acareação. Isso demanda ação presencial”, disse.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan, Otto Alencar criticou as atitudes do governo frente à pandemia, disse que as assinaturas para compra de vacina deveriam ter sido feitas no ano passado e reprovou a declaração de Pazuello de que a aquisição do imunizante deveria ser sob demanda. “Cálculo todo errado. Trabalhou em cima da proposta de Osmar Terra, que dizia que a doença iria se propagar e teríamos a imunidade de rebanho. Totalmente distante da realidade científica e médica. Foram vários atos inconsequentes e equivocados. A ciência não se dobra. Pazuello se dobrou às vontades do presidente, que é quem ditava as normas e protocolos para execução das ações do Ministério.” Ele citou as inúmeras vezes que Jair Bolsonaro não incentivou o uso de máscara e o distanciamento social e lembrou que três senadores faleceram em decorrência da doença.

De acordo com o senador, dois nomes são citados como possíveis relatores da CPI: Eduardo Braga e Renan Calheiros. Sobre a presidência, ele afirmou não ter o que pontuar — apenas mencionou que já recebeu muitos pedidos de apoio, mas que o voto é secreto. “O que interessa é começar a investigar as coisas que aconteceram e, na minha opinião, são graves, sobretudo no âmbito do Ministério da Saúde. Quando Bolsonaro demitiu Mandetta, o Nelson Teich não pode ficar porque não tinha condições de trabalhar e se submeter às orientações do presidente da República. No período que Pazuello estava, ele cumpriu exatamente o que foi determinado. Chegou ao ponto de colocar no site do Ministério a indicação de cloroquina como tratamento.”

Otto Alencar reforçou que a vacina deveria ter sido prioridade. “Deveríamos ter assinados os contratos de cooperação técnica. De cada 10 vacinas aplicadas hoje, 8,3 são do Instituto Butantan. Por que não assinamos lá trás? Da Pfizer, AstraZeneca, Moderna, Johnson para ter hoje 40%, 50%, 60% do povo vacinado. Uma vacina custa US$ 10, um dia na UTI custa R$ 2 mil. Era só fazer a conta. O Ministério da Saúde é o mais importante. Economia não roda se o povo brasileiro não tiver saúde para trabalhar.” Para ele, a soberania que deveria ter tido ao longo dos anos é a de investimento em pesquisa e ciência. “Ao contrário de trazer IFA da China ou da Índia, estaríamos produzindo aqui. Se não fez, fica à mercê de quem vai encaminhar ou doar para cá.”

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