quinta-feira, junho 17, 2021
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Depoimento de Wajngarten à CPI da Covid-19 teve bate-boca e ameaça de prisão

A CPI da Covid-19 ouviu, nesta quarta-feira, 12, o ex-secretário especial de Comunicação da Presidência da República (Secom) Fabio Wajngarten. A oitiva, que durou mais de oito horas, foi marcada por bate-boca entre parlamentares, críticas dos integrantes da comissão às respostas evasivas do depoente e ameaça de prisão, medida defendida por senadores que alegaram que o ex-chefe da Secom estava mentindo ao colegiado. Em razão disso, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), decidiu encaminhar o teor do depoimento ao Ministério Público Federal (MPF). Como a Jovem Pan mostrou, o Palácio do Planalto monitorava de perto os desdobramentos da fala de Wajngarten à comissão. Apesar do temor de auxiliares do presidente da República, o ex-secretário do governo poupou o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello de críticas. Em determinado momento, chegou a dizer que o general do Exército “foi corajoso de assumir uma pasta no pior momento da história do Brasil e talvez o pior da história do mundo”.

A senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) questionou Wajngarten sobre uma entrevista dada à revista “Veja”, na qual o ex-secretário afirmou que o governo brasileiro não firmou contrato com a Pfizer para a aquisição de 70 milhões de doses do imunizante porque houve “ineficiência” e “incompetência” de gestores do Ministério da Saúde. À parlamentar, ele respondeu que nunca havia dito isso. Minutos depois, o veículo divulgou o áudio da conversa, na qual o ex-chefe da Secom responde de forma enfática que viu como incompetência a atuação da pasta. “Esse espetáculo de mentiras que vimos aqui é algo que não vai se repetir e não pode servir de precedente”, disse o relator Renan Calheiros (MDB-AL) ao pedir a prisão do depoente. O pedido foi negado pelo presidente da CPI, Omar Aziz. “Eu não tomarei essa decisão. Tenho tomado decisões muito equilibradas. Mas ser carcereiro de alguém, não. Eu sou um democrata. Se ele mentiu, temos como pedir o indiciamento dele ao Ministério Público. Aqui não é um tribunal de julgamento”, disse Aziz.

Carta da Pfizer

No período da tarde, com mais de quatro horas de depoimento, o ex-secretário apresentou uma carta da Pfizer enviada no dia 12 de setembro de 2020 ao presidente Jair Bolsonaro e endereçada também ao vice-presidente Hamilton Mourão, aos ministros Braga Netto (então na Casa Civil), Eduardo Pazuello (então na Saúde) e Paulo Guedes (Economia), e ao embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Nestor Forster. Segundo Wajngarten, o documento foi ignorado por dois meses – o primeiro contato teria ocorrido no dia 9 de novembro. “A potencial vacina da Pfizer e da BioNTech é uma opção muito promissora para ajudar seu governo a mitigar esta pandemia. Quero fazer todos os esforços possíveis para garantir que doses de nossa futura vacina sejam reservadas para a população brasileira, porém celeridade é crucial devido à alta demanda de outros países e ao número limitado de doses em 2020”, diz um trecho da carta.

Bate-boca entre relator e Flávio Bolsonaro

Por volta das 17h, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), que não é membro da CPI, apareceu no plenário da CCJ, onde são realizadas as reuniões, para sair em defesa de Fabio Wajngarten. “Na minha opinião não teve nenhuma mentira [no depoimento]”, disse o parlamentar ao senador Humberto Costa (PT-PE). Na sequência, o filho Zero Um do presidente da República bateu boca com Renan Calheiros. “Imagina a situação. Um cidadão honesto ser preso por um vagabundo como Renan Calheiros”, disse Flávio. “Você que é vagabundo, roubou dinheiro do pessoal do seu gabinete”, rebateu o emedebista. “Vai se f***”, emendou o Zero Um. A sessão foi suspensa após a troca de insultos.

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